
Passei uma noite e uma tarde lendo o texto para a aula de Teoria Crítica da Sociedade, texto intrigante e intrincado, segundo o Fred ele aplicou o método dialético na escrita do texto. Isso me irrita muito.
Enfim, o texto, Teoria Tradicional e Teoria Crítica de Horkheimer, é daqueles que te obrigam a ler e reler, pois tem-se a leve impressão de que o autor está tratando de coisa muito fundamental, que uma vez lida, te jogará em um ponto sem retorno na sua vida... De fato, entendendo pouco do texto lendo por mim mesmo, acabo percebendo que se trata de recolocar a práxis social na ciência, ao memso tempo que quer recriar o marxismo como tradição teórica... superar a dicotomia do pensamento e da ação!
Daí, partindo de um parágrafo sobre o pensamento para a ação, ontem os estudantes em assembléia geral deliberaram greve dos mesmos, os funcionários encontram-se em greve também desde ontem.... Barricadas foram colocadas no corredor da FFLCH para que se impedisse os alunos de terem aula.... (obs: na França minha amiga Talita disse que era ainda pior, além de não deixarem você ter aula, prendiam-te numa sala obrigando-te a participar da assembléia!)
Dei uma volta e peguei uma discussão de um professor acusando o movimento estudantil de anti-democrático, que na época dele não havia greve forçada, as pessoas aderiam a greve porque de fato havia necessidade de greve, como um espírito aéreo que paira e dá o momento exato de uma mobilização geral! Aliás, cansa-me as analogias com o período extremo da ditadura, haverão mais períodos extremos como esse? Ou há novas maneiras de se conseguir o que quer hoje em dia? Maneiras menos atritivas? Apesar de no momento daquela discussão estar pendendo levemente para apoiar os estudantes, continuei confuso, ainda remetendo o meu pensamento a uma discussão lida no dia anterior: os decretos realmente ferem ou não a autonomia universitária? Ali via a materialização forte e antagônica das duas opiniões... Tudo que é passível de materialidade e se efetiva ganha a minha atenção!
Daí meu professor, Ricardo Musse, chegou para conversar com os alunos e decidir o que faríamos, como as salas estavam inacessíveis, começamos a conversar no corredor da FFLCH mesmo, fez-se um círculo de alunos rápido em torno dele e eu não conseguir ouvi-lo mesmo estando perto - Como ele fala baixo! De repente um barulho que tomou a atenção de todos, um barulho de sirene de polícia se aproximando do prédio da Ciência Política, as pessoas se entreolhavam, titubeando entre o absurdo da situação (uma viatura entrando dentro de um prédio) e a dúvida do que seria aquillo, daí, eis que surge um aluno com um megafone, além do barulho de sirene ele começou a gritar que estávamos em greve, atrapalhando as poucas aulas que conseguiram se iniciar... Com o barulho, ficara ainda mais impossível de ouvir o professor e os alunos da rodinha decidindo o meu destino. Então houve a proposta de irmos pra fora pra discutir o que queríamos fazer.
Lá fora formou-se um círculo e houve o encaminhamento de duas propostas, ter aula na reitoria, como uma atividade de greve, e não ter aula e acompanhar as outras atividades de greve que estavam acontecendo no dia (palestra do Paulo Arantes no Conselho Universitário). Além disso, ficou-se decidido que semana que vem, o professor Musse se disporia a dar atividades de greve, pois ele acha que a greve possui um problema originário de lógica, a greve pressupões o seu esvaziamento pois os alunos não vem mais à universidade. Minha opinião se fez clara nessa hora, eu era a favor da ocupação e contrário a greve, pude efetuar uma distinção entre as duas coisas, coisas que pareciam fundidas em um mesmo bloco, senti uma vontade de haver um método de pressão criativo e efetivo e também senti a vontade de que esse método já estivesse pronto por alguém, uma proposta já feita e explicada, pois não me vinha nada à cabeça e não me sentia capaz de criar essa nova proposta... Enfim, decidimos por ter aula na reitoria, por 10 votos a 0 da outra proposta, as pessoas sabiam que se se deliberasse por acompanhar as outras atividades de greve, muita gente iria embora...e o que estava tentando se evitar ali era justamente o esvaziamento.
A aula foi memorável, o texto permitia tocar na própria questão da reitoria ocupada, que o professor se posicionou a favor, pelo fato de a reitora ter colocado que não negocia sob pressão (para ele algo que deve sim acontecer numa democracia) e pelo fato de ela estar agindo como latifundiária, pedindo a reintegração de posse da reitoria.... A explanação do professor sobre o texto foi muito profunda, entrando em muitos detalhes, no final, fecha dizendo que a dimensão prática da Teoria Crítica é no máximo a epxeriência social do inconformismo, do qual aquela ocupação era um exemplo...
Enfim, o texto, Teoria Tradicional e Teoria Crítica de Horkheimer, é daqueles que te obrigam a ler e reler, pois tem-se a leve impressão de que o autor está tratando de coisa muito fundamental, que uma vez lida, te jogará em um ponto sem retorno na sua vida... De fato, entendendo pouco do texto lendo por mim mesmo, acabo percebendo que se trata de recolocar a práxis social na ciência, ao memso tempo que quer recriar o marxismo como tradição teórica... superar a dicotomia do pensamento e da ação!
Daí, partindo de um parágrafo sobre o pensamento para a ação, ontem os estudantes em assembléia geral deliberaram greve dos mesmos, os funcionários encontram-se em greve também desde ontem.... Barricadas foram colocadas no corredor da FFLCH para que se impedisse os alunos de terem aula.... (obs: na França minha amiga Talita disse que era ainda pior, além de não deixarem você ter aula, prendiam-te numa sala obrigando-te a participar da assembléia!)
Dei uma volta e peguei uma discussão de um professor acusando o movimento estudantil de anti-democrático, que na época dele não havia greve forçada, as pessoas aderiam a greve porque de fato havia necessidade de greve, como um espírito aéreo que paira e dá o momento exato de uma mobilização geral! Aliás, cansa-me as analogias com o período extremo da ditadura, haverão mais períodos extremos como esse? Ou há novas maneiras de se conseguir o que quer hoje em dia? Maneiras menos atritivas? Apesar de no momento daquela discussão estar pendendo levemente para apoiar os estudantes, continuei confuso, ainda remetendo o meu pensamento a uma discussão lida no dia anterior: os decretos realmente ferem ou não a autonomia universitária? Ali via a materialização forte e antagônica das duas opiniões... Tudo que é passível de materialidade e se efetiva ganha a minha atenção!
Daí meu professor, Ricardo Musse, chegou para conversar com os alunos e decidir o que faríamos, como as salas estavam inacessíveis, começamos a conversar no corredor da FFLCH mesmo, fez-se um círculo de alunos rápido em torno dele e eu não conseguir ouvi-lo mesmo estando perto - Como ele fala baixo! De repente um barulho que tomou a atenção de todos, um barulho de sirene de polícia se aproximando do prédio da Ciência Política, as pessoas se entreolhavam, titubeando entre o absurdo da situação (uma viatura entrando dentro de um prédio) e a dúvida do que seria aquillo, daí, eis que surge um aluno com um megafone, além do barulho de sirene ele começou a gritar que estávamos em greve, atrapalhando as poucas aulas que conseguiram se iniciar... Com o barulho, ficara ainda mais impossível de ouvir o professor e os alunos da rodinha decidindo o meu destino. Então houve a proposta de irmos pra fora pra discutir o que queríamos fazer.
Lá fora formou-se um círculo e houve o encaminhamento de duas propostas, ter aula na reitoria, como uma atividade de greve, e não ter aula e acompanhar as outras atividades de greve que estavam acontecendo no dia (palestra do Paulo Arantes no Conselho Universitário). Além disso, ficou-se decidido que semana que vem, o professor Musse se disporia a dar atividades de greve, pois ele acha que a greve possui um problema originário de lógica, a greve pressupões o seu esvaziamento pois os alunos não vem mais à universidade. Minha opinião se fez clara nessa hora, eu era a favor da ocupação e contrário a greve, pude efetuar uma distinção entre as duas coisas, coisas que pareciam fundidas em um mesmo bloco, senti uma vontade de haver um método de pressão criativo e efetivo e também senti a vontade de que esse método já estivesse pronto por alguém, uma proposta já feita e explicada, pois não me vinha nada à cabeça e não me sentia capaz de criar essa nova proposta... Enfim, decidimos por ter aula na reitoria, por 10 votos a 0 da outra proposta, as pessoas sabiam que se se deliberasse por acompanhar as outras atividades de greve, muita gente iria embora...e o que estava tentando se evitar ali era justamente o esvaziamento.
A aula foi memorável, o texto permitia tocar na própria questão da reitoria ocupada, que o professor se posicionou a favor, pelo fato de a reitora ter colocado que não negocia sob pressão (para ele algo que deve sim acontecer numa democracia) e pelo fato de ela estar agindo como latifundiária, pedindo a reintegração de posse da reitoria.... A explanação do professor sobre o texto foi muito profunda, entrando em muitos detalhes, no final, fecha dizendo que a dimensão prática da Teoria Crítica é no máximo a epxeriência social do inconformismo, do qual aquela ocupação era um exemplo...